domingo, 23 de dezembro de 2007

E eu tava mexendo na minha pasta, cujo nome é "Etc." e achei esse texto. Escrevi em julho, acho. É. "Não é que eu queira reviver nenhum passado, nem revirar um sentimento revirado..." Diria Ana Carolina, e é exatamente. Só resolvi postar porque gostei dele, e lembrei o quanto a pessoa direcionada me fazia escrever bem. Não quer dizer nada, não significa nada. É só pra ter aqui. :)

Em menos de 5 minutos consegui me arrepender de tudo que fiz durante um ano inteiro. De tudo que falei, tudo que me dediquei, tudo que aceitei, que fiz, que amei. Em menos de 5 minutos consegui ir do amor ao ódio extremos. Conseguir ir da falta ao nojo extremos. E eu pensando que choque foi o que tomei semana passada quando deitei no lençol térmico molhada (sim, muito burra). E eu pensando que já tinha sentido todas sensações que desprezo, nojo, falta, tristeza e arrependimento pudessem causar juntos. E eu achando que tinha sido recíproca toda a entrega, durante o infinito que durou. E eu que acreditava que eram situações normais em vidas novas, e que tempo ao tempo, vai melhorar. E eu que segurei aquela mão tão raras vezes nessa mesma situação encontrada hoje. Sou capaz de lembrar o tamanho do estufo no peito de orgulho pelos meus méritos com muito esforço conseguidos. Capaz de lembrar cada segundo que senti o calor dos dedos entrelaçados nos meus enquanto milhões de pessoas passavam e os meus olhos só viam uma. E mais, capaz de contar quantas vezes isso aconteceu. Lembro cada noite que tive vontade de deparecer por ter dado só um beijo na bochecha e a volta pra casa era sempre diferente, o igual. Me sentia uma sacola orgânica. Mas nada comparado ao que me senti hoje. Me sinto agora. E é agora, sentada aqui com as mangas encharcadas de pura vergonha, em que eu me pergunto: o que foi pra você, todo esse tempo? Todas as palavras ditas, lágrimas derramadas, sentimentos trocados, noites acordadas, mãos dadas, planos feitos? O que todo o meu empenho cru significou pra você nesses dias todos? Semanas, meses, ano. Quanto valeu sua entrega? Hoje, naquele instante, tudo que foi dito, demonstrado, acreditado, caiu por água abaixo. Duvido de cada vírgula que já tive. Queria ser um avestruz, só pra poder enfiar minha cabeça na terra e explodir. Sem dúvida, tudo que passamos foi e teatro mais comprido que eu já vi. Meus parabéns. E me diga, o que você ganhou com isso? Realmente é uma coisa que meus neurônios recusam passar a informação. Não entendo, é pior que trigonometria avançada e na parte com funções. Como pode, por tanto tempo, tantos dias, não ter sido nada verdade? Não ter sentido o coração bater mais forte, não ter sido importante, não ter sido especial. E não se atreva! Não, não diz que foi e que sempre vai ser. Eu não acredito mais. Eu exijo provas. Enquanto eu me preocupava em mostrar que cada milímetro me importava... Puta merda, só de lembrar! Que troxa. É bem essa palavra. T-R-O-X-A. Verdade, a gente gosta e fica burro. Cego, ignorante. Acha que tudo tá tudo bem, que "não ele jamais faria isso", que "eu sei que ele gosta muito de mim", que isso, que aquilo. Enquanto não vê o que tá na nossa frente. Ainda bem que lavei o rosto, respirei fundo, tirei as correntes e abri os olhos há dois meses atrás. Obrigada, obrigada por isso. Apenas por isso. Ou também por ter me esquentado por tantas vezes. Por fazer com que no dia 8 de julho de 2007 eu tenha me sentido a pior pessoa da face terrestre. Pior que o Bush e o Michael Jackson num corpo só. E meu querido, você ficou muito vermelho. Se eu pudesse escolher a cabeça de uma pessoa pra ler durante 5 minutos, eu escolheria hoje, naquele instante. Eu trocaria minha discografia do Los Hermanos por isso. Não que você valha uma música, mas minha curiosidade e satisfação valeria. E se alguém me perguntar se hoje eu apagaria esse ano inteiro da minha vida, eu responderia SIM. E não pensaria duas vezes. Eu sei que amanhã eu ia me arrepender, mas eu só queria voltar naquela maldita sexta-feira e ter feito o que eu tinha vontade. Que no caso, não tinha vontade. Ou melhor, antes, voltar naquela segunda-feira e ter ido direto pra casa depois da educação física. É, o moletom cinza, cabelo preso, calça preta, bem nesse dia. Não, não, antes ainda. Voltar no dia 25 de dezembro de 2005 e ter feito a coisa certa, e nada disso taria acontecendo agora. Nada de tudo teria acontecido. Ou teria? Destino, puta coisinha que eu nunca gostei! Engraçado como ele coloca as pessoas estrategicamente nos lugares errados nas horas erradas. Ou que provavelmente, no futuro, será certo. E queria muito saber o que move nossas escolhas. Se eu só não tivesse dito que tinha frio, quem sabe eu não estaria às 5:18 da manhã com insônia e dor nas costas enquanto a luz do teu quarto tá apagada. E pensando como vou agir daqui em diante, e como vou fazer pra voltar pro meu processo de desintoxicação que até algumas horas atrás estava tendo muito sucesso. Droga. Droga mesmo. E me desculpe, mas eu falo isso agora. Sinta o que quiser, se é que tu é capaz de sentir qualquer sentimento sobre qualquer coisa relacionada à mim. Se é que alguma coisa algum dia importou pra vossa esselência. Quer saber? Cansei de ficar procurando palavras pra não ter que apagar a luz e tentar dormir enquanto a maldita imagem fica na minha mente quando mantenho os olhos fechados. E O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças pra que te quero agora! Eu nem ia querer processo completo, só o que vi hoje. Mas, pensando bem, melhor. Assim chego logo nos 100%, sumo das nossas vidas, meus calos aumentam, minha bolha cresce, e tudo fica mais fácil. É, obrigada por isso também. E estou adiando apertar no botão Publicar o máximo que posso porque prometi que hoje seria as últimas letras que digitaria por tua causa. O último texto, ou projeto dele. Não aguento mais, o que eu faço agora? Aperto logo a porra desse botão, desligo o computador, apago a luz, fecho os olhos e tento dormir? Já sabendo que amanhã minha promessa já vai ser quebrada? Eu me conheço muito bem. Eu não te conheço mais. Se é que algum dia conheci mesmo tudo que tu é por dentro. Tinha no peito, sentia no coração. Não aguento mais, mesmo. Nada do que eu escrevi tem algum real sentido. O que eu vi não faz sentido, não mesmo. E juro que enquanto escrevia tudo isso as coisas até pareceram menos dolorosas. E agora parei pra pensar, porra, o que é que tá acontecendo?! Não faz sentido, não faz! E nada, absolutamente NADA do que eu disser vai explicar o que tô sentindo, e o que penso sobre esse turbilhão de informações que recebi em 5 minutos. Em menos de 5 minutos. Em menos de 5 minutos, perdi milhões deles. Em menos de cinco minutos, meu castelo de areia na redoma, já era. E não vou prometer o que não posso cumprir, mas, você não merece mais nenhuma linha aqui.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

sunrise, sunlight.

Não sei porque minhas idéias borbulham quando tô no banho. Acho que a água quente ferve meu cérebro. E é o único lugar em que eu não posso escrever na hora. Mas tá, vamos tentar o que eu pensei antes...
A gente já se conhece deve fazer uns 6 meses, e eu nunca havia escrito nem uma vírgula sobre nós. Eu já perdi a conta de quantas mensagens de celular eu já gastei, quantos minutos de celular tu já gastaste, quantas vezes andei devagar pra não fazer barulho com o salto, quantas vezes vimos aquele dvd do Coldplay juntos, e assim por diante. E já havíamos conversado muitas vezes, muitas horas, sobre muitos assuntos. Mas dessa vez, foi diferente. Dessa vez os dedos estavam entrelaçados e a gente notou depois de tanto tempo e tanta coisa, que nos completamos mais do que duas peças de um quebra-cabeça. E enquanto nossas certezas só aumentavam, eu ficava me perguntando o porque de duas pessoas assim continuarem sendo singulares. E me perguntava também se era só que que tava vendo como a gente "foi feito um pro outro" (putz, baita clichê), e fingindo que não tava.
"Ela é totalmente apaixonável..." ecoava aí dentro e eu sei porque chegava a ouvir. E se tu pudesses escutar o que ecoava em mim, ouvir um "totalmente apaixonada..." Mesmo que fosse só ali naquele instante, enquanto você ria do meu cabelo verde - "cabelo de alga", tu dizias - ou enquanto me esmagava com os travesseiros, ou enquanto dizias que o meu sorriso era um dos mais lindos que tu já vistes, logo tu, que vê pelo menos uns 20 por dia.
E em cada plano de viagem, em cada pausa pra ouvir o tal eco, em casa risada boba, era impossível não ficar mais perto, não abraçar mais forte. "Fica aqui, não quero te levar pra casa..." 5:30 am.
E é nessas horas em que eu paro tudo e me pergunto o porquê de quando a gente encontra a metade da laranja, a tampa da panela, o outro par do chinelo (não podia deixar passar! HUAHAUHAUH), fingimos que não e seguimos em frente. Por que eu tô fazendo isso? Por que não te abracei forte e disse que não queria sair dali nunca mais? Por que não falei que eu quero sim ir pra Buenos Aires contigo, quero sim namorar, casar, "ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sítio...", como diria o Jota Quest. Mas não, o máximo que eu falei foi "também gosto de nós..." Enquanto na realidade eu queria nós dois todos os dias, todas as horas, todos os minutos.
E falando assim parece uma boba "in love", mas depois de quase 7 horas juntos vendo um no olho do outro que não existe ninguém mais igual do que nós dois, não tem como não ficar desse jeito. Impolgada. Feliz. E saber desse semelhança fora do normal me deixa intrigada porque olhando ninguém diria. Alguns anos de diferença (pra variaaar), tu trabalhas das 9 às 7, dois consultórios, e provavelmente nem vai ler esse texto porque diz que não tem tempo e saco pra internet. E eu cagando pra tirar 3.7 na recuperação de matemática, torrando no sol durante as tardes. Ninguém diria que a gente é igual, olhando desse ângulo. Desse ângulo de fora. Mas a gente conhece o melhor deles. O de dentro. E a gente, somente a gente sabe que eu e tu, somos 180°, e que juntos, somamos 360°. Somos inteiros.
7:00 am. Abre a janela e vê o nascer-do-sol, depois, "estamos indo de volta pra casa".
E o dvd do Coldplay não pára... "to my surprise, my daylight, I saw sunrise, I saw sunlight... and I realise who cannot live without, who come apart without it."