A gente já se conhece deve fazer uns 6 meses, e eu nunca havia escrito nem uma vírgula sobre nós. Eu já perdi a conta de quantas mensagens de celular eu já gastei, quantos minutos de celular tu já gastaste, quantas vezes andei devagar pra não fazer barulho com o salto, quantas vezes vimos aquele dvd do Coldplay juntos, e assim por diante. E já havíamos conversado muitas vezes, muitas horas, sobre muitos assuntos. Mas dessa vez, foi diferente. Dessa vez os dedos estavam entrelaçados e a gente notou depois de tanto tempo e tanta coisa, que nos completamos mais do que duas peças de um quebra-cabeça. E enquanto nossas certezas só aumentavam, eu ficava me perguntando o porque de duas pessoas assim continuarem sendo singulares. E me perguntava também se era só que que tava vendo como a gente "foi feito um pro outro" (putz, baita clichê), e fingindo que não tava.
"Ela é totalmente apaixonável..." ecoava aí dentro e eu sei porque chegava a ouvir. E se tu pudesses escutar o que ecoava em mim, ouvir um "totalmente apaixonada..." Mesmo que fosse só ali naquele instante, enquanto você ria do meu cabelo verde - "cabelo de alga", tu dizias - ou enquanto me esmagava com os travesseiros, ou enquanto dizias que o meu sorriso era um dos mais lindos que tu já vistes, logo tu, que vê pelo menos uns 20 por dia.
E em cada plano de viagem, em cada pausa pra ouvir o tal eco, em casa risada boba, era impossível não ficar mais perto, não abraçar mais forte. "Fica aqui, não quero te levar pra casa..." 5:30 am.
E é nessas horas em que eu paro tudo e me pergunto o porquê de quando a gente encontra a metade da laranja, a tampa da panela, o outro par do chinelo (não podia deixar passar! HUAHAUHAUH), fingimos que não e seguimos em frente. Por que eu tô fazendo isso? Por que não te abracei forte e disse que não queria sair dali nunca mais? Por que não falei que eu quero sim ir pra Buenos Aires contigo, quero sim namorar, casar, "ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sítio...", como diria o Jota Quest. Mas não, o máximo que eu falei foi "também gosto de nós..." Enquanto na realidade eu queria nós dois todos os dias, todas as horas, todos os minutos.
E falando assim parece uma boba "in love", mas depois de quase 7 horas juntos vendo um no olho do outro que não existe ninguém mais igual do que nós dois, não tem como não ficar desse jeito. Impolgada. Feliz. E saber desse semelhança fora do normal me deixa intrigada porque olhando ninguém diria. Alguns anos de diferença (pra variaaar), tu trabalhas das 9 às 7, dois consultórios, e provavelmente nem vai ler esse texto porque diz que não tem tempo e saco pra internet. E eu cagando pra tirar 3.7 na recuperação de matemática, torrando no sol durante as tardes. Ninguém diria que a gente é igual, olhando desse ângulo. Desse ângulo de fora. Mas a gente conhece o melhor deles. O de dentro. E a gente, somente a gente sabe que eu e tu, somos 180°, e que juntos, somamos 360°. Somos inteiros.
7:00 am. Abre a janela e vê o nascer-do-sol, depois, "estamos indo de volta pra casa".
E o dvd do Coldplay não pára... "to my surprise, my daylight, I saw sunrise, I saw sunlight... and I realise who cannot live without, who come apart without it."

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