sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

tanto como vidro

E eu viro e me reviro do avesso pra não dizer que te adoro, que aceito namorar, casar, viver contigo. Enquanto tudo que eu queria era te falar isso ao pé do ouvido. Você conhece todos os meus lados. Me tem transparente. Inteira. Real. Verdadeira.
Sabe os meus sins (?) os meus nãos. As minhas respostas e as minhas perguntas.
Se quiser pode ver meu coração. Seria capaz de ver minha alma. Tocar, reconhecer suas cores.
Você tem todas as palavras estrategicamente colocadas, todos meus pensamentos voltados em sua direção.
Tem meu lado sádico, meu lado engraçado, meu lado psicóloga, meu lado tímida, meu lado louca. Louca por todo esse mistério. Esse jogo de esconde-esconde. Do sério.
Tem minhas pistas, meus sinais, minhas dúvidas, meus sorrisos escondidos. Você tem cada tom do meu olho vidrado em cada centímetro do teu sorriso. Das ondinhas do teu cabelo. Sabe o que eu quero dizer quando digo. Sabe o que eu quero que responda quando pergunto. Conhece minhas frases, minha vontade de abraçar o mundo, minha vontade de falar baixinho, de contar segredos, esconder segredos. De dizer mas não fazer. De fazer mas não dizer.
Você me tem transparente. Como nunca alguém me teve antes. Me desdobro em várias pra dizer as coisas que guardo e escolho palavras. Me tem boba, desajeitada, falando bobagens e me atropelando. Querendo mostrar tudo e não mostranto nada. Ou não querendo mostrar nada e mostranto tudo. Você me tem fingindo que tanto faz, me tem morrendo de vontade. Morrendo de amor. Sábio era Mário Quintana, que escreveu: "tão bom morrer de amor e continuar vivendo..." Tão bom...

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