Há uns dias atrás, eu escrevi esse texto:
Sabe aquela dor que raras vezes a gente tem no peito? (Pra mim, são raras). Mas aquelas do pior tipo... Que parecem um tiro ultrapassando qualquer forma de proteção. Foi o que senti ontem quando coloquei minha cabeça no travesseiro, fechei os olhos e numa distração, por um segundo, lembrei do começo de fevereiro.
Só senti essa dor outras duas vezes na vida. Há quem diga, que isso é o tal do amor (e essa, no caso, seria a sua pior parte). Mas quando me questionam se eu já amei alguém, sempre me vem essas duas pessoas na cabeça, e então respondo sempre que não, mesmo achando que talvez, sim. E duas vezes.
É que eu não gosto de banalizar o amor, classificando quando ele ocorre ou não. Como ele é, e a quantidade. Acho que é alguma coisa inexplicável e incontável, e que qualquer um pode se apaixonar muitas vezes, mas amar - e principalmente: saber amar - é para poucos. Seria eu, alguém premiada 3 vezes?
E porque a terceira pessoa também não aparece na minha cabeça quando sou questionada? Porque ainda não me fizeram esse questionamento desde que ele apareceu na minha vida.
Já gostei de algumas pessoas, mas a gente sabe, reconhece quando é algo bem maior.
E tinha ficado imcompleto. Então procurei ele e li de novo. Cliquei em deletar, pensei por 10 segundos e desisti. Mas resolvi postar, pra mostrar que eu tava errada. E como eu sei? Porque simplesmente lendo uma coisa ao acaso, eu vi que não era amor. Nem perto. Nem nada. Porque além das outras 2 vezes terem sido recíprocas - e lindas, diga-se de passagem - dessa vez foi diferente. Foi naqueles momentos de carência e vulnerabilidade, sabe? E eu admito, cheguei até a pensar, digo, até a ter certeza que ele era o terceiro. Mas cheguei a me surpreender com a facilidade que tive em simplesmente, deixar passar.
Na verdade, usei a minha tática de não parar pra pensar sobre o assunto em hipótese alguma. E juro que não tentei quebrar isso, então, simplesmente prefiro acreditar que deixei passar.
Porque na realidade, sabe o que você é? É um idiota com um coração gigante nas mãos, sem saber aonde colocar. E esse coração grita, extravasa amor. E você, é um idiota, que segura só pra ti por achar que se não for ela, não pode ser ninguém. É isso que você é.
E assim, cheguei a conclusão de que você é aquele tipo de pessoa, quem não vale a pena salvar, pelo simples fato de não querer ser salvo. E te acho mais idiota ainda quando reclama.
Por isso, sinto muito e adeus. Fica com seu coração, e faça o que bem entender dele. Mas por mim, tomara que exploda. Porque amor demais, só é bom quando distribuído. Sozinho ele murcha, idiota.
quinta-feira, 27 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
deixa chover, deixaaa...
Sabe, eu ia mesmo era escrever afirmando que eu definitivamente, tinha estragado tudo mais uma vez, por pirar tanto na nuca dos outros. Mas achei meio precipitado, sem certezas antes da páscoa, dona Bruna.
E ainda por cima achei esse texto do Antônio Prata (um cara que eu pago pau meeeesmo!), que fala muita coisa que eu não conseguiria falar de jeito nenhum. E claro, é muito melhor do que as afirmações e dúvidas constantes que eu pretendia lhes apresentar.
Então...
"O amor que choveu"
Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado). O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela? O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura -- só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava. O que é que eu faço? -- perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! -- diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978. Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele -- se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo. Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.

domingo, 2 de março de 2008
E é sempre a mesma ladainha: "vou fazer certo dessa vez". "Não vou pirar dessa vez." "Vou me conter dessa vez." "Não vou bancar a louca dessa vez". "Não vou morrer de saudade dessa vez." "Não vou manter falsas expectativas dessa vez." Dessa, daquela, da outra. Sempre igual. Mas eu piro sempre. Morro de saudade sempre. Sofro de carência sempre. Invento expectativas (desleais...) sempre. Não que eu já tenha me decepcionado, levado uma facada ou coisa assim. É só pra deixar registrado mais uma vez em que eu fiz tudo errado, e que nem sempre estraga tudo, mas enfim. No fundo parece que ele se diverte com as minhas trapalhadas e falas sem pensar.
Na verdade é que eu odeio essa racionalização do amor. Porra, amor é pra sentir, extravasar, transbordar da gente. Não tem que ficar contido, de coluna reta, pernas cruzadas e olhos e boca fechados. Amor é esse troço louco que pula da nossa boca, brilha nos nossos olhos, deita, se mexe, dança, sorri.
Amor não tem hora nem lugar pra acontecer. Pra resolver virar alguém do avesso. Ele só entra e domina tudo, faz a gente pirar. E é, tem que pirar mesmo, por isso não me chamem de louca quando eu me apaixono e piro. É tão difícil de acontecer, quando acontece eu piro mesmo. Aproveito mesmo. Sugo mesmo. Amo, aproveito, cada gota.
E tô adorando. Tô amando, adorar. Claro que não é amor tudo isso, ainda. Mas é o amor que tenho em mim e não pelos outros. Esse que transborda mesmo sem ninguém saber.
E meu Deus, como eu adoro quando ele me chama daquele apelido que só ele me deu. E como eu adoro quando ele ri das minhas besteiras. E quando finge de triste. E quando, e quando, e quando... Só sei que o melhor está por vir.
E jamais imaginei que a menina de coração de pedra aqui pudesse escrever um texto lovezinho desses. É a vida... Que aliás, é bonita, é bonita e é bonita!
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