quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

novinho em folha

Primeiro, que não sei o que realmente tá acontecendo.
Não sai da minha cabeça.
Segundo, que já conhecia esse texto, mas quando li ele, e justamente agora...
Tive que vim aqui.

Teatro da moça banal, por Tati Bernardi, óbvio.

Olho pela sacada da minha casa e vejo você chegando. Corro para o enorme espelho do meu quarto e repito em mantra: eu não gosto dele, eu não gosto dele, eu não gosto dele.
Tenho quase 30 anos e consegui estragar todos os meus relacionamentos simplesmente porque gostei demais das pessoas. Dessa vez quero acertar, por isso combinei comigo que, apesar de estar morrendo por você, não gosto de você.
Espero você tocar a campainha olhando o escuro pelo olho mágico. Meu coração dispara, mas eu mando ele parar. Estraguei todos os meus relacionamentos de tanto que meu coração dispara. Dessa vez quero acertar, dessa vez quero que alguém fique comigo ao menos um mês sem me achar louca. Cansei de sempre ser a garota louca que espanta todo mundo.

Você tem cheiro de roupa limpinha com mente suja e eu quero te rasgar inteiro. Mas apenas te dou um beijinho no rosto. Preciso me comportar. Ser como as minhas amigas que se dão bem e arrumam namorados apaixonados.
Há anos que eu rasgo os rapazes, enlouqueço, me apaixono, devoro. E termino sozinha no Espaço Unibanco, querendo morrer enquanto olho sem fome para o pacotinho com dez minipães de queijo.
Chega. Dessa vez vou acertar. Não vou chorar na sua frente porque acho um absurdo estar viva, não vou pirar porque deu quatro da manhã e eu tenho a impressão de que a noite é uma coisa de pirar a cabeça. Não vou beijar sua nuca no meio da noite e gostar de você como naquela canção do Legião, que diz que é como se não houvesse amanhã. Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas. E ninguém entende nada.
E todo mundo se assusta. Mas prometo ser uma mulher normal dessa vez.

Você não sabe porque eu não te atendi o dia todo. Eu te conto que é porque estava muito ocupada. Minhas amigas sempre usam essa desculpa e sempre namoram. Eu era a louca que nem esperava os caras ligarem e já ligava pra eles.
Mas dessa vez tô ignorando o telefone. Mesmo que ele fique no meio das minhas pernas o dia todo esperando um telefonema seu. Mas você jamais vai saber disso.
E jamais vai saber mesmo, sabe por quê? Porque você é o primeiro homem do mundo que não sabe que eu escrevo sobre a minha vida. Chega. Todos os homens morrem de medo disso e eu não agüento mais essa porra dessa solidão que me dá toda vez que procuro um pouco de amor nos beijos e abraços curtos que alguém me dá só pra poder transar depois. Chega.

Você me salvou. Eu não agüentava mais pensar nos mesmos caras que eram sempre os mesmos caras.Você é novinho em folha e eu sou louca por você. Mas tudo isso eu não te conto pra você não achar que eu sou louca. Chega. Dessa vez vou fazer tudo certo.
Já é a sexta vez que você vem à minha casa e até agora nada. Não transei com você. Apesar de pirar na sua barriga e na sua nuca. E de querer eternizar o seu cabelo e o seu nariz feio. E de achar que o seu cheiro é o cheiro de uma nova vida que eu estava precisando tanto. E de eu te adorar principalmente porque eu já nem sabia mais como era adorar alguém novinho em folha. Não, não transei com você. Chega de transar sonhando em andar de mãos dadas.
Agora vou andar de mãos dadas pra ver se vale a pena transar. Porque dessa vez vou fazer tudo direito. Chega.

E você nem sonha que eu sou meio bipolar, quero ser mãe e acredito no amor da vida. Acredito no amor pra sempre. Acredito em alma gêmea. Você nem sonha com essas coisas porque só conversamos coisas leves e engraçadas.
Chega de ser a louquinha intensa. Maior legal transar e se divertir com a louquinha intensa, mas quem agüenta o tranco de me assumir, de me amar?
Ninguém. Chega.
E eu corro no espelho de novo e repito cem vezes que não gosto de você. Não gosto de você. Não gosto de você.
Porque se eu gostar de você, eu sei que você vai embora. E eu simplesmente não agüento mais ninguém indo embora. Porque nessa vida maluca só se dá bem quem ignora completamente a brevidade da vida e brinca de não estar nem aí para o amor. E eu preciso me dar bem e por isso ignoro minha urgência pelo amor. Porque, se você sentir urgência em mim, vai é correr urgente daqui. Chega.

E você implora pra gente finalmente transar. Já é a sexta vez que você vem aqui. E eu quero muito. Muito. Porque você tem a voz mansinha e só fala coisa inteligente. E você é cínico sem ser maldoso. Mas não, não. Estou morrendo de vontade de ser eu, mas ser eu só tem me feito perder e perder. E eu quero ganhar. Só dessa vez. Chega.
E eu quero me dar de bandeja pra você. E dentro de mim uma voz diz: pira Tati, enlouquece. Vive um dia e já está bom. Depois eu demoro semanas pra me levantar, mas pelo menos fui intensa e vivi um dia. Mas não agüento mais nada disso. Quero viver uma história. Por isso dessa vez não vou transar e nem gostar de você. Tchau. Peço pra você ir embora. E você jura que eu não estou nem aí pra você. Melhor assim. Dessa vez quero fazer tudo certo.
Chega de fazer tudo errado.
E eu te espio da janela, indo embora. E quero berrar o quanto gosto de você.

E te pedir em namoro. E rasgar sua roupa. E te comer. E dormir enroscada no seu cabelo. E te mandar flores amanhã. E mais uma vez agir como um homem. Mas eu cansei de ser homem. Chega de usar o homem que eu não sou pra ferrar comigo. Eu sou menina. E meninas só transam depois do sexto encontro. Ou depois que o cara fala que gosta delas. Dessa vez vai ser assim. Chega.
E se você não se apaixonar por mim mesmo com todo esse teatro de moça banal que eu estou fazendo, vai ser a prova de que eu precisava pra saber que você realmente vale a pena.

Sem mais.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Então eu me vi obrigada a cair na real. Acordar, abrir os olhos, lavar o rosto e olhar pra frente. Ver que o mundo não é feito só de sonhos e amores platônicos. E que eu tenho que aceitar que nem sempre posso ter tudo. Por isso, esse é o último texto pro campeão de textos desse blog. Atestado. Aceito.

Mas já achei um novo, com o mesmo nome e tudo.
Só pra não perder o costume, hahahahahaha.
Porque, "estranho seria se eu não me apaixonasse por você..."

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

tanto como vidro

E eu viro e me reviro do avesso pra não dizer que te adoro, que aceito namorar, casar, viver contigo. Enquanto tudo que eu queria era te falar isso ao pé do ouvido. Você conhece todos os meus lados. Me tem transparente. Inteira. Real. Verdadeira.
Sabe os meus sins (?) os meus nãos. As minhas respostas e as minhas perguntas.
Se quiser pode ver meu coração. Seria capaz de ver minha alma. Tocar, reconhecer suas cores.
Você tem todas as palavras estrategicamente colocadas, todos meus pensamentos voltados em sua direção.
Tem meu lado sádico, meu lado engraçado, meu lado psicóloga, meu lado tímida, meu lado louca. Louca por todo esse mistério. Esse jogo de esconde-esconde. Do sério.
Tem minhas pistas, meus sinais, minhas dúvidas, meus sorrisos escondidos. Você tem cada tom do meu olho vidrado em cada centímetro do teu sorriso. Das ondinhas do teu cabelo. Sabe o que eu quero dizer quando digo. Sabe o que eu quero que responda quando pergunto. Conhece minhas frases, minha vontade de abraçar o mundo, minha vontade de falar baixinho, de contar segredos, esconder segredos. De dizer mas não fazer. De fazer mas não dizer.
Você me tem transparente. Como nunca alguém me teve antes. Me desdobro em várias pra dizer as coisas que guardo e escolho palavras. Me tem boba, desajeitada, falando bobagens e me atropelando. Querendo mostrar tudo e não mostranto nada. Ou não querendo mostrar nada e mostranto tudo. Você me tem fingindo que tanto faz, me tem morrendo de vontade. Morrendo de amor. Sábio era Mário Quintana, que escreveu: "tão bom morrer de amor e continuar vivendo..." Tão bom...