Eu sempre o vi como um cubinho de gelo. Daqueles bem pequeninhos, que são mais difíceis de quebrar. Ele guarda seu coração - que por tudo que sei, imagino com alguns esparadrapos, super bonder e cicatrizes já cicatrizadas - tão protegido e solitário, que se eu pudesse ver, choraria. E então, eu com a minha maniazinha de ler o passado das pessoas, pra saber como elas são quando gostam e quando não gostam de alguém, descobri que ele é só mais um cubinho de gelo, daqueles normais, que se exposto à um calor (leia-se sentimento recíproco) imenso, se derrete. Igualzinho a mim, ou a você. E descobri - uma surpresa! - que ele também pode amar alguém. Igualzinho a mim, ou a você. E que chora, e que sente saudades, e que faz tudo isso perfeitamente bem. Ao menos foi o que me pareceu. E que assim como eu e como você, ele também já se decepcionou. E calculo, pelo cubinho de gelo que ele é agora, que deve ter sido uma decepção e tanto. E é por causa dela que ele voltou a ser um cubinho de gelo; e dessa vez bem mais forte. Entendo perfeitamente, por que já passei por isso também. Mas não entendo porque evitar um calor novo. Porque sempre na defensiva, com braços cruzados, porque fazer tudo o que eu estou cansada de observar de longe. Por que não, eu não me arrisco. Se ele quer manter esse coraçãozinho - com todas as cicatrizes e seus esparadrapos - protegido por ele mesmo e não por alguém, tudo bem. Quem sou eu pra te fazer mudar de idéia? Se o máximo que eu já tive foi todas as tuas palavras e gestos daquele sábado à noite (e que, sinceramente, ainda não entendi nada...). Eu não ocupo espaço nos teus pensamentos, assim como você nos meus e eu sei disso. Você não tem essa curiosidade sobre mim como eu tenho uma imensa sobre você. E para o meu super poder de persuasão (aquariana, fazer o quê), você tem um escudo para que ninguém mais te faça seguir caminhos que você não considera conveniente. E assim, você acaba perdendo muita vida. E, fala sério, você se acha muito esperto, não é? É claro que as coisas são tão fáceis assim pra você... Vôcê não quer passar da página 1 das pessoas. Não quer se entregar nem que alguém se entregue. Você não quer ir além, não deixa ninguém tocar, só ver esse cubinho cada vez mais gelado de longe. E é por isso que eu não arrisco, não passo da tua página 1, porque quem sabe não valha a pena mesmo eu usar esse poder de persuasão com alguém que não quer ser convencido que existe caminhos e lugares melhores de onde ele tem ficado.
Lendo teu passado me pareceu que pra você, é muito importante que as pessoas te mostrassem o quanto você é especial pra elas, e assim, você iria pra segunda página. Mas acho que agora não é mais assim. Aprendi que gostar de alguém não vai fazer essa pessoa gostar de você de volta, reciprocamente.
Mas é tão óbvio que cada passo que eu dou em alguma direção eu penso antes se isso me vai me levar mais perto ou mais longe de você e que já não importa toda essa distância e diferença que existe entre a gente porque eu iria caminhar até você de qualquer jeito, se adiantasse, e que também não importa se o que eu quero e tenho pra derreter esse cubinho não é exatamente com o que você quer e tem porque o que eu tenho serve pra nós dois. (Ufa. Por favor, leia esse último parágrafo sem parar pra respirar. É assim que tem que ser.)
Eu comecei falando de um cubinho de gelo e corações com esparadrapos e já nem sei mais aonde fui parar. E era isso que eu poderia dar a você. Se você somente fechasse os olhos e parasse de querer só o que é difícil e igual. Só porque é descomplicado e simples, não significa que é ruim. Só não quero ficar fazendo aqueles joguinhos superficiais, para depois existirem apenas trocas superficiais. Eu quero o cubinho inteiro.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
edadisoiruC.
Eu realmente tenho que admitir, acho incrível o poder que ele tem sobre mim (mesmo sem saber). Tá, poder não seria bem a palavra certo pra usar. Deixe-me tentar explicar. Acho incrível ele conseguir resgatar alguma coisa que estava perdida lá no meio dos arquivos desse músculo involuntário, de 3 anos atrás com apenas 2 palavras. Ouvi de uma amiga minha essa semana: "Não adianta, com a Fig é sempre assim. Se ela coloca os olhos e diz 'eu quero esse', ela sempre tem." E deixando minha modéstia, cóf cóf, lá na puta que pariu, cóf cóf, não é mentira. E aí no auge dos meus 14/15 anos me aparece essa criatura que foi a única pessoa que nada do que eu fiz - mas na realidade, nada do que eu pensei em fazer - adiantou. Então, pra variar, a minha teimosia não aceitou desistir. Só guardou, pra uma eventual emergência.
E depois de tanto tempo, tantos dias ignorando-o, tantos cortes de cabelo, tantas outras trajetórias, encontrei ele bem no meio do caminho. Ou será que ele me encontrou bem no meio do caminho? Enfim, nos encontramos bem no meio do caminho. (E, pra ser sincera, empre achei que o lugar dele fosse bem no meio do meu caminho.) E com algumas trocas de palavras, parece que tirei do baúzinho meus sentimentos de 2005. Minha ânsia e toda a curiosidade do mundo em ultrapassar as barreiras que ele insiste em manter entre quem ele é de verdade e quem ele parece ser. Ultrapassar toda essa conveniência e ser inconveniente em mostrar que posso ser exatamente como ele quer quando é ele de verdade.
E sabe do que eu mais gosto? O modo como ele dá sentido às coisas. O modo como ele usar as palavras sem precisar dizer muito. O modo como ele encaixa as coisas. O truque que ele usa em prender toda a minha atenção sem abrir a boca. Só me olhando. O jeito como ele faz com que eu queira provar que mesmo ele tendo todas as respostas, eu tenho todas as respostas das respostas dele. E que se quer ter um desafio de provocações e palavras cruzadas, achou alguém à altura.
Acho que é isso que me faz querer cada vez mais experimentar o outro lado do muro que ele próprio construiu entre o seu interior e exterior. Ele não acreditar que eu posso provar que pode ser surpreendente.
Tá, não sei mais o que escrever. Pra me explicar era só ter escrito a palavra curiosidade.
E depois de tanto tempo, tantos dias ignorando-o, tantos cortes de cabelo, tantas outras trajetórias, encontrei ele bem no meio do caminho. Ou será que ele me encontrou bem no meio do caminho? Enfim, nos encontramos bem no meio do caminho. (E, pra ser sincera, empre achei que o lugar dele fosse bem no meio do meu caminho.) E com algumas trocas de palavras, parece que tirei do baúzinho meus sentimentos de 2005. Minha ânsia e toda a curiosidade do mundo em ultrapassar as barreiras que ele insiste em manter entre quem ele é de verdade e quem ele parece ser. Ultrapassar toda essa conveniência e ser inconveniente em mostrar que posso ser exatamente como ele quer quando é ele de verdade.
E sabe do que eu mais gosto? O modo como ele dá sentido às coisas. O modo como ele usar as palavras sem precisar dizer muito. O modo como ele encaixa as coisas. O truque que ele usa em prender toda a minha atenção sem abrir a boca. Só me olhando. O jeito como ele faz com que eu queira provar que mesmo ele tendo todas as respostas, eu tenho todas as respostas das respostas dele. E que se quer ter um desafio de provocações e palavras cruzadas, achou alguém à altura.
Acho que é isso que me faz querer cada vez mais experimentar o outro lado do muro que ele próprio construiu entre o seu interior e exterior. Ele não acreditar que eu posso provar que pode ser surpreendente.
Tá, não sei mais o que escrever. Pra me explicar era só ter escrito a palavra curiosidade.
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